António José Lopes Lampreia, de seu nome completo, usou como nome artístico António José.
Nasceu em Setúbal a 29 de Janeiro de 1929. Aos oito anos de idade, veio viver para Lisboa, junto com a família, local para onde o pai funcionário dos Caminhos de Ferro veio transferido.
Inscrito na S. P. A. (Sociedade Portuguesa de Autores) a 17 de Maio de 1958 tornou-se cooperador a 9 de Julho de 1974 com o nº 356.
Cedo manifestou a sua vocação artística, fazendo parte das brincadeiras de criança, juntamente com os amigos da rua onde morava, utilizarem a escadaria de uma vivenda, onde simulavam um palco para cantarem.
Manifestava igualmente, o seu gosto pelo cinema, aproveitando o usual na época, em que, um menor podia entrar no cinema acompanhado de dois adultos sem custo adicional. Isso deu-lhe oportunidade de ser um frequentador assíduo e, ao mesmo tempo apurar os sentidos e gostos musicais.
Em casa, produzia os próprios “filmes”, recortando os quadros das bandas desenhadas, que colava formando um rolo; fazia um recorte num cartão, preparava a audiência, o irmão mais novo e sobrinhos, iniciando a projecção com a frase: “vai começar a sessão podem apreciar os cartazes” ao mesmo tempo que mudava as figuras ia narrando uma história criada por si.
CARREIRA MUSICAL
Sentiu muito cedo a sua vocação para cantar e foi no Centro de Preparação de Artistas da Rádio, da Emissora Nacional, que se iniciou nas lides radiofónicas, salientando-se entre os jovens artistas que despontavam, tendo gravado um disco “A Feira da Vida “. Mais tarde, participou com outros intérpretes em três discos de “Melodias de Sempre”.
Fez parte do “ Quarteto Scalabis”, composto por Carlos Walter, Carlos Fernandes e o viola José Nunes, apresentando-se no Clube Radiofónico de Portugal, com actuações regulares. Interpretando músicas portuguesas e brasileiras.
AS PRIMEIRAS LETRAS
No Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional, todas as semanas havia uma apresentação de principiantes. O repertório era pequeno e acabavam por repetir. António José começou então a escrever letras para canções de filmes fazendo estas parte do seu repertório. Outros colegas começaram igualmente a cantar as “suas letras”.
O seu primeiro êxito foi “ Rua sem Luz”, em 1959, com a parceria de Nóbrega e Sousa, cantado por Maria de Fátima Bravo.
Descoberto que estava em si o poeta, o dono de uma das mais lindas vozes, “do melhor ouvido”que na época se conhecia entre nós, de uma espantosa intuição musical, abandonou o canto para se dedicar inteiramente aos versos, servindo assim a canção português num dos géneros de que ela mais carecida estava: novos poetas
A partir do final dos anos 70 foram criados os galardões “ Discos de Ouro” (para venda superior 30.000 exemplares nos anos 70 e a 50.000 exemplares e nos anos 80) ganhou vários.
FESTIVAIS
Numerar os êxitos alcançados por António José nestes anos de actividade, é absolutamente impossível. É o autor mais premiado dentro e fora do seu país, contando-se entre dezenas de prémios que recebeu, nas diversas participações em festivais, foi muitas vezes galardoado no Prémio TV da Canção Portuguesa, o primeiro premio, em diferentes edições do Festival da Canção da Figueira da Foz; o segundo prémio no último Festival Internacional do Atlântico com a canção “Cada Qual” de parceria com Nóbrega e Sousa, interpretada por Artur Garcia; o terceiro prémio no Festival da Canção do Douro (Porto), o segundo, o terceiro prémio e, o do Turismo, no Festival da Costa Verde, em Espinho; o primeiro e segundo prémio do Festival da Canção de Lisboa, ; o Grande Prémio das Marchas Populares de Lisboa de 1994 parceria com Lídia Lurdes Costa e 1997 parceria com o Maestro Jorge Costa Pinto; escreveu as Marchas Populares de quase todos Bairros Lisboetas: Ajuda, Alcântara, Alto Pina, Benfica, Campo de Ourique, Campolide, Castelo, Madragoa, Marvila, Mouraria, Olivais e São Vicente;
Versos com a sua assinatura foram cantados nos Festivais Aranda do Douro, México, Andorra, Barcelona e do Rio de Janeiro.
Em parceria com os mais representativos compositores, foi o responsável por algumas das mais importantes canções gravadas em disco, fazendo parte do repertório dos nossos melhores interpretes.
Fez adaptações dos originais para o português de canções cantadas por Adamo, Juan Manuel Serrat, Júlio Iglesias.
Versos da sua autoria foram gravados no Brasil por Agostinho dos Santos, Fafa de Belém e Carlos José, cuja canção chegou a dar título ao álbum de “Sombras na Madrugada “.
A canção de sua autoria “Porta Secreta” com música de Carlos Canelhas e, interpretada por Artur Garcia, foi classificada a melhor canção do ano de 1967 pelos leitores do jornal “ O Século” , com uma votação de 145.246 pontos, tendo a canção vencedora do festival desse ano “O vento mudou” obtido o 2º lugar com o total de 54.518 pontos. A canção “Porta Secreta” obteve o 5º lugar no IV Grande Premio TV da Canção.
Faleceu em 20 de Dezembro de 2003
http://www.antoniojose.com.pt/ (inactiva)
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